Que Tipo de Arte é a Minha? - Artes Visuais e Outros Tópicos

December 15, 2015

Nota: Originalmente, este artigo foi publicado em Dezembro de 2014, mas decidi publica-lo novamente para mudar a ordem das publicações neste blog, para tornar mais fácil se ler os tópicos, em uma ordem mais fluente.

 

 

Venho, com estes artigos, falar sobre Arte, em geral, seus conceitos e significados, e também sua importância para a sociedade. Mas dentre tudo o que existe no mundo da arte, dentre todos os estilos e técnicas existentes, eu escolhi seguir uma determinada corrente, a da Arte Tradicionalista, e do estilo realista. Pretendendo, ainda, escrever mais sobre isso em outros tópicos, tentarei ser breve neste ponto e procurarei, por questões acadêmicas e de interesse, explicar que tipo de arte é esta.

 

Dentre tantos “estilos”, onde eu me encaixo?

Bem, de forma simples e direta, trabalho com arte visual. Mas as coisas são mais complicadas do que isso. Como pintor posso dizer que trabalho com arte ilustrativa. E isso quer dizer que produzo algo a se olhar, a ser apreciado, em uma imagem. É uma forma bastante específica de interação. E daí me designo como um pintor naturalista e realista. E isso quer dizer que procuro criar uma imagem que represente algo palpável, e que com isso transmita emoções. Não entendo muito sobre artes abstratas, Instalações, etc., e não procuro criar algo abstrato que tenta expressar emoções forçadamente, talvez até chocando a plateia.

 

            Agora uma importante pergunta* deve ser feita: Realismo ou Arte Realista?*

Realismo é um movimento artístico e literário que surgiu nas últimas décadas do Século XIX na França, como uma reação ao Romantismo. Entre 1850 e 1880 este movimento cultural se estendeu pela Europa e outros continentes. Foi uma nova tendência estética, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades. O homem europeu, tendo aprendido a utilizar o conhecimento cientifico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas. Os integrantes desse movimento repudiaram a artificialidade do Neoclassicismo e do Romantismo (e o conceito de idealização), pois sentiam a necessidade de retratar a vida, os problemas e costumes das classes média e baixa sem convenções artísticas inspiradas em modelos do passado. O movimento manifestou-se também na escultura e, principalmente, na arquitetura.

Nas artes, o Realismo, como movimento artístico, pode ser definido como uma tentativa de representar o assunto escolhido sem artificialidade e evitando convenções e elementos exóticos, implausíveis ou sobrenaturais. Na pintura, o artista busca a representação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno natural. Ou seja, o pintor busca representar o mundo de maneira documental, rejeitando a idealização e focando na vida do dia a dia. Ao artista não cabe “melhorar” artisticamente a natureza, pois a beleza é vista na realidade tal qual ela é. Segundo o movimento Realista, a beleza está, sobretudo, na capacidade do artista em representar a natureza de maneira realista, seja o objeto representado de valor carismático ou não.

Mas e o Naturalismo?

Naturalismo (não confundir com naturismo ou com filosofia naturalista) é uma escola literária conhecida por ser a radicalização do Realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade. Diz respeito ao estudo da natureza e a interpretação desta pela ciência e leis da física. A escola esboçou o que se pode declarar como os primeiros passos do pensamento teórico evolucionista de Charles Darwin. O Naturalismo é, em oposição ao sobrenatural ou espiritual, a idéia ou crença de que apenas as leis e as forças naturais operam no mundo; em extensão, a idéia ou crença de que não existe nada além do mundo natural. Os adeptos do naturalismo - naturalistas - afirmam que as leis naturais são as regras que regem a estrutura e o comportamento do universo natural; que cada etapa da evolução do universo é um produto dessas leis. O naturalismo, como forma de conceber o universo, constitui um dos pilares da ciência moderna, sendo alvo de considerações também de ordem filosófica.

Sendo assim, o Naturalismo é uma corrente filosófica que valoriza o mundo natural e que, no mundo das artes, atua dando forças ao Realismo, estando estes dois conceitos diretamente ligados.

Porém, e aqui está a resposta para a *pergunta, o Realismo, como movimento artístico do século XIX, que se caracterizava pela oposição ao idealismo das escolas clássica, romântica e acadêmica, não deve ser confundindo com técnicas realistas de execução de obras de arte, ou seja, com o esmero do artista em reproduzir as imagens (em artes plásticas) tal qual as vê na realidade. Técnicas realistas de pintura e de escultura existem desde, ao menos, a Antiguidade clássica, e foram e continuam sendo utilizadas por diversas escolas (como a dos surrealistas, por exemplo).

Isto quer dizer que há uma clara definição entre O Realismo, o movimento artístico, e Arte Realista - arte feita com determinadas técnicas que representam o objeto de forma realista -, embora ambos possam estar ligados e influenciar um ao outro. Em outras palavras, Realismo e Arte Realista são coisas diversas, e uma pintura surrealista, embora pertencente ao movimento do Surrealismo, pode ser feita com técnicas realistas, e ser, por assim dizer, uma pintura realista.

 

Realismo – Movimento artístico

Naturalismo – Corrente filosófica que suporta o Realismo nas artes.

Arte Realista e/ou Naturalista –  Arte representada com realidade, o que não quer dizer o que o objeto representado não possa ser falso, ou idealizado.

 

Um bom exemplo desta distinção é o ilustrador americano James Gurney, criador da série de livros Dinotopia. Gurney é capaz de criar ilustrações incrivelmente realistas e naturalistas de um mundo imaginário, criado por ele mesmo, no qual Humanos e Dinossauros convivem em harmonia. O assunto/objeto é falso, não existe, mas suas obras são obras realistas, feitas com naturalismo.

Eu, particularmente, sou fã do idealismo. Acredito eu, que em um mundo tão cheio de catástrofes e brutalidades, a idealização, a fantasia e o sonho na arte podem ser um maravilhoso escape, e uma essencial fonte de inspiração, força e desejo de mudar, produzir, de evoluir. Portanto, procuro representar minhas inspirações, meus sonhos e ideais em minhas obras (de certa forma, Romantismo), porém de forma naturalista e realista, por valorizar os conhecimentos e técnicas empregados na execução de tais obras.

Mas independentemente da técnica utilizada, a pessoa que vê uma obra deve olhar para ela e sentir alguma emoção, aprender algo com ela. Mesmo que você não saiba nada sobre o estilo da obra em si - Impressionismo, Realismo, Naturalismo, Cubismo, etc. -, a simples admiração em si ainda será mais importante para o artista. E mesmo que o espectador não seja capaz de identificar, olhando a obra, as batalhas travadas pelo artista durante sua construção, a valorização das habilidades e conhecimentos técnicos do artista será sempre bem apreciada. A habilidade do artista é um dom, e este deve ser valorizado.

 

Ressurgimento:

Embora a busca pela expressão perfeita e acurada da natureza nas artes exista desde a Antiguidade, a partir do século XIX tem havido um crescente interesse pela manifestação realista na arte, especialmente em nosso tempo atual, quando a euforia a cerca do moderno e surreal começa a dar lugar à admiração pelas conquistas artísticas do passado. É visível que hoje há uma busca sempre crescente pelos ideias de beleza do passado, e por formas de arte que possam ser apreciadas por mais de meros segundos, que nos toquem ao coração e nos façam refletir. Que não apenas nos ofereçam uma breve sensação de choque ou originalidade. Há uma revalorização da Arte Naturalista e das técnicas utilizadas pelos grandes mestres, um reconhecimento de que as habilidades demonstradas por esses indivíduos é algo a ser reverenciado, e suas técnicas preservadas como patrimônio da humanidade. Um exemplo claro disso é a proliferação de Academia tradicionais de Belas Artes que vemos surgir por todo o globo, como a Florence Academy of Art, Grand Central Academy, Alpine Fellowship, etc.

 

Talvez seja hora de haver esperança para a Arte Realista, e saber que ele sobreviverá à prova do tempo e permanecerá presente no cotidiano das gerações futuras. Afinal, a habilidade do artista é um dom, que deve ser valorizado.

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